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Sócia-fundadora, diretora executiva, de jornalismo e projetos do Portal, I'sis é jornalista e bacharel interdisciplinar em artes formada pela Universidade Federal da Bahia, além de técnica em comunicação visual e pós graduanda em Direitos, Desigualdades e Governança Climática. É criadora e podcaster do Se Organiza, Bonita!
De clássicos consagrados a novas produções premiadas, confira histórias que refletem a memória e a força criativa do cinema brasileiro
Publicado em 19/06/2025 às 12h

Cena de Café com canela, de Glenda Nicácio e Ary Rosa
O audiovisual nacional atravessa um período de fôlego renovado, sustentado por êxitos recentes nas bilheteiras, incremento de aportes financeiros e uma presença cada vez mais expressiva no mercado global. Em 2025, o Brasil foi o País-Homenagem do Marché du Film, principal feira de negócios do Festival de Cannes, atraindo um número inédito de profissionais: o contingente brasileiro cresceu 50% em relação à edição anterior.
Em solo nacional, os recursos também ganharam corpo. Entre 2023 e 2024, o Fundo Setorial do Audiovisual mobilizou R$ 4,8 bilhões, reforçados pelos R$ 2,8 bilhões viabilizados pela Lei Paulo Gustavo, além de iniciativas estaduais e municipais voltadas à produção e capacitação técnica. Para completar o cenário, o presidente Lula sancionou a nova legislação que torna obrigatória a cota de exibição de filmes brasileiros em salas comerciais até 2033, assegurando espaço para o cinema nacional diante da concorrência estrangeira.
No circuito internacional, a indústria colhe frutos de sua maturidade. O longa Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, fez história ao ser o primeiro título brasileiro a disputar o Oscar de Melhor Filme e conquistou a estatueta de Melhor Filme Internacional. O feito projetou novamente a cinematografia brasileira aos olhos do público global e de investidores estrangeiros. Outros trabalhos, como O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho com Wagner Moura, e o documentário Playtime, de Lúcia Murat, vêm marcando presença em festivais de prestígio, como Cannes e Berlim.
Na base, produtoras independentes, a exemplo da Filmes de Plástico, uma produtora conhecida por retratar narrativas da classe trabalhadora, consolidam reconhecimento crítico e novos prêmios fora do país. A resposta do público também surpreende: até março deste ano, mais de 20 milhões de ingressos já foram vendidos, com filmes brasileiros representando 30% dessa audiência, um índice superior à média histórica. Plataformas de streaming, como Globoplay, Netflix e Prime Video, reforçam o alcance ao oferecer obras de alta qualidade e ampliar o catálogo nacional.
Na Bahia, o cinema também vive um momento de crescimento e consolidação, impulsionado por uma produção audiovisual diversa que valoriza narrativas locais, negras, indígenas e periféricas. Salvador e outras cidades do estado se destacam como polos culturais que promovem o desenvolvimento do setor por meio de festivais, coletivos e espaços dedicados à formação e exibição de filmes.
Entre os eventos mais relevantes está o Panorama Coisa de Cinema, festival que acontece em Salvador e tem como foco principal o cinema negro e periférico. O evento promove a exibição de obras audiovisuais de cineastas negros e jovens realizadores, além de debates e oficinas que dialogam com questões sociais e raciais, fortalecendo a representatividade no audiovisual baiano.
Outro destaque é a Mostra Internacional de Cinema da Bahia (MIMB), que reúne produções nacionais e internacionais com ênfase na diversidade cultural do Nordeste e da Bahia. O festival conta com mostras competitivas, palestras e atividades formativas, servindo como espaço de troca entre profissionais, estudantes e o público interessado em cinema autoral e contemporâneo.
19 de junho – Dia do Cinema Nacional
O dia 19 de junho é celebrado como o Dia do Cinema Nacional em homenagem à data em que foi exibido o primeiro filme brasileiro, em 1898. Nesse dia, o cineasta ítalo-brasileiro Afonso Segreto realizou as primeiras imagens em movimento filmadas no Brasil, ao registrar a entrada da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, enquanto retornava de uma viagem à Europa, onde havia aprendido técnicas de filmagem.
A filmagem de Segreto marca simbolicamente o início da produção cinematográfica no país, que ao longo dos anos se desenvolveu com fases de glória e desafios, passando pelo cinema mudo, pela era do cinema novo, pela retomada nos anos 1990 e, hoje, pela diversidade de produções autorais e independentes.
Conheça 5 filmes brasileiros para celebrar o dia do Cinama Nacional
1. Central do Brasil (1998) — Drama emocionante dirigido por Walter Salles. Acompanha a jornada de Dora (Fernanda Montenegro), que, após a morte de uma cliente, decide ajudar o menino Josué a encontrar seu pai, em uma road-movie por regiões do Nordeste.
Classificação Indicativa (Brasil): Não recomendado para menores de 12 anos
Onde assistir: Netflix, Amazon Prime
Veja o trailer:
2. Cidade de Deus (2002) — Clássico absoluto de Fernando Meirelles e Kátia Lund, retrato cru e impactante da favela carioca, reconhecido mundialmente como marco do cinema brasileiro.
Classificação Indicativa (Brasil): 16 anos
Onde assistir: Netflix, Globoplay, Amazon Prime
Veja o trailer:
3. Ainda Estou Aqui (2024) — Novo sucesso de Walter Salles, com Fernanda Torres, é o primeiro longa brasileiro indicado ao Oscar de Melhor Filme e vencedor de Filme Internacional. Explora memórias de desaparecidos políticos no Brasil.
Classificação Indicativa (Brasil): Em definição (estimada: 14 ou 16 anos)
Onde assistir: GloboPlay e em breve no Star+
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4. Marte Um (2022) — Drama sensível dirigido por Gabriel Martins, retrata o cotidiano de uma família negra da periferia de Minas Gerais. O filho caçula sonha em ser astrofísico e viajar para Marte, enquanto a família enfrenta desafios econômicos e sociais no Brasil pós-2018.
Classificação Indicativa (Brasil): 16 anos
Onde assistir: Globoplay; disponível para aluguel na Claro TV+ e Vivo Play
Veja o trailer:
5. Café com Canela (2017) — Longa dirigido por Glenda Nicácio e Ary Rosa, ambientado no Recôncavo Baiano. Conta a história de Margarida, uma mulher reclusa após uma tragédia, que reencontra Violeta, ex-aluna, e juntas reconstroem laços de afeto e cura, trazendo temas de memória, negritude e cotidiano baiano.
Classificação Indicativa (Brasil): 12 anos
Onde assistir: Amazon Prime Video, Telecine Play, Looke
Veja trailer:
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