Evento inédito ocupa Salvador e Jequié com mais de 30 artistas e ações que atravessam corpo, política e imaginação coletiva
Publicado em 04/08/2025 às 18:51

Foto: Fotoperformance-Popular, projeto de Alex Oliveira
De 13 a 17 de agosto, as ruas, feiras, praças, escolas e centros culturais de Salvador e Jequié serão atravessadas por gestos artísticos que provocam o cotidiano e abrem espaço para novas formas de existir. A 1ª Bienal de Performance da Bahia estreia como um evento inédito dedicado à linguagem performática no estado, reunindo mais de 30 artistas, pesquisadores e pensadores em uma programação extensa que mistura intervenções urbanas, oficinas, debates, vídeoarte e experiências presenciais e virtuais.
Idealizada e curada pela artista e pesquisadora baiana Padmateo, a Bienal tem como ponto de partida a provocação “Isto é violência?”, pergunta que não busca respostas fáceis, mas tensiona os sentidos e convida o público a refletir sobre os modos como a política, a exclusão e a história moldam corpos e experiências, especialmente em contextos de marginalização.
A escolha por Salvador e Jequié como cidades-sede da primeira edição carrega simbolismo. Ambas estão entre os municípios com maiores índices de violência do país, segundo dados do Atlas da Violência e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em 2023, Jequié apareceu entre as dez cidades mais violentas do Brasil, enquanto Salvador segue como uma das capitais com maior número de homicídios. Nesse contexto, a arte assume um papel de enfrentamento simbólico e político.
Programação em Jequié
A cidade de Jequié será ocupada por uma sequência de ações que deslocam a performance para o espaço comum. A programação se inicia no dia 13 com a abertura da exposição Mandacaru: Aqui é um bairro, de Alex Oliveira, na residência artística Casa 1145, que também recebe, no mesmo dia, uma intervenção ancestral de Z Mário. No dia 14, Marcel Diogo apresenta no Centro de Abastecimento Vicente Grillo a performance Nem tudo que vai na parede é obra de arte, que remonta gestos de opressão e violência policial.
Nos dias seguintes, performances como Fotoperformance Popular, de Alex Oliveira, na Feira do Pau e no Colégio Milton Santos, e A Gangorra, de Augusto Leal, na Praça Ruy Barbosa, colocam o corpo como ferramenta de escuta e provocação. No dia 16, no Centro Cultural ACM, Entrelinhas, da coreógrafa Jack Elesbão, evoca a mulher negra silenciada na história com uma dramaturgia visual e potente. No mesmo dia, a ação coletiva Bombas de Sementes encerra a jornada com uma proposta de reconstrução e cuidado.
Corpos em trânsito e oficinas em todo o estado
Em Salvador, a Bienal ocupa o Centro Histórico com ações que se articulam entre presença, denúncia e imaginação. No dia 13, Tiê Francisco Maria conduz Ultrassom, performance que transforma ruídos urbanos em partitura viva. No dia 14, Ângela Daltro traz ao Pelourinho Noiva, prece laica e poética contra violências de gênero e raça. Em 15 de agosto, Álex Ìgbó espalha lambes da série Oriente-se, subvertendo signos coloniais de gênero, e no dia 16, Contagiar, de Kako Arancíbia e Franclin Rocha, propõe silêncio e afeto como formas de ação performativa no Terreiro de Jesus.
As ações não param nas ruas. Durante os cinco dias de Bienal, uma mostra de vídeoarte com curadoria de Rogério Félix e parceria com o acervo do Vídeo Brasil será exibida em ambas as cidades, com títulos que exploram identidade, território e performatividade. Paralelamente, o ciclo Auto-Falante: Aulas Magnas ocupa o ambiente virtual com falas ao vivo no YouTube, sempre às 11h e com tradução em Libras. Participam os artistas e pesquisadores Renan Marcondes, Pêdra Costa, Ramon Fontes e Waleff Dias.
As ações formativas também se expandem. Em Jequié, nos dias 14 e 15, Ana Gábris ministra Risco!: por uma modelagem viva, oficina que propõe experimentações corporais com base na costura e na modelagem afetiva. Em Salvador, Diego Alcântara conduz Método Mamba, no dia 15, na Casa Mangabeira. Online, as artistas Nina Caetano e Kauê Garcia realizam oficinas que tratam de práticas feministas e relações entre arte e crime, nos dias 13 e 14.
A 1ª Bienal de Performance da Bahia é uma realização independente, com apoio de instituições como a Escola de Belas Artes e a Pro-Reitoria de Extensão da UFBA, a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Associação Cultural Vídeo Brasil, Casa 1145, Casa de Angola, Casa Mangabeira, entre outras. O projeto foi contemplado no Edital Cultura que Transforma – PNAB Jequié, com apoio financeiro da Prefeitura de Jequié via Secretaria de Cultura e Turismo e do Ministério da Cultura, Governo Federal.
A programação completa está disponível no perfil oficial da Bienal (@bienalperformance) no Instagram.
💡 Apoie o Portal Black Mídia: O Futuro da Juventude Negra na Mídia! Para seguir nossa jornada em 2025, precisamos de você! Contribua com qualquer valor via PIX (CNPJ: 54738053000133) e fortaleça o Portal Black Mídia. Sua doação nos ajuda a continuar oferecendo jornalismo independente e soluções que impactam vidas.
📲 Siga também: @blackmidiaconecta e conheça nossos serviços.
As Comunidade Black é um espaço seguro para discussões sobre os temas que estão relacionados com as nossas editorias (temas de notícias). Não quer ler um montão de textos, mas quer acompanhar tópicos de temas determinados? Conheça os grupos, escolha aqueles que você quer fazer parte e receba nossos conteúdos em primeira mão.
Clique para acessar nossa comunidade
Nossa comunidade é um espaço para nossa audiência receber reforços de nossos conteúdos, conteúdos em primeira mão (I'sis Almeida, diretora jornalismo do Portal)
No geral, mesmo com as redes sociais as pessoas não se conectam, e é por isso que abrimos esse espaço de conversação. (Lavínia Oliveira, diretora de arte do Portal)