Evento reune escritores, artistas, educadores e comunidades para valorizar saberes periféricos e cultura produzida por pessoas negras
Publicado em 19/11/2025 às 18:02

Foto: Divulgação
A Festa Literária Escolar do Subúrbio Ferroviário (FLESF) chega à sua terceira edição reafirmando o compromisso de reconhecer o Subúrbio de Salvador como território de potência criativa, intelectual e cultural. Entre os dias 25 e 29 de novembro de 2025, escolas municipais da região e a Biblioteca Social Afro-Indígena Meninas do Subúrbio, em Coutos, recebem uma programação intensa dedicada à literatura, ao artesanato, à música, às tradições orais e à formação de jovens leitores.
O tema deste ano, “Com amor e maestria o artista e o artesão reinventam a vida na periferia”, conduz todas as atividades, celebrando a produção cultural forjada por artistas e artesãos negros do Subúrbio Ferroviário.
Idealizada pela escritora e educadora Jovina Souza, em parceria com o Sarau do Agdá, a Biblioteca Social Afro-Indígena Meninas do Subúrbio, o Coletivo Água da Fonte, a Galinha Pulando e a Orí Aiê – Leituroteca, a FLESF propõe uma aproximação sensível entre escolas, famílias e comunidades, fortalecendo vínculos entre arte e educação a partir da Lei 10.639/2013.
O evento se consolida como um projeto político-pedagógico que valoriza a memória, o território e a identidade negra, envolvendo estudantes de todas as idades em práticas de leitura, criação e fruição artística.
Escritores e artistas de forte representatividade na literatura baiana participam da edição deste ano, entre eles Jovina Souza, Lucas de Matos, Dejanira Rainha, Carol Adesewa, Anajara Tavares, Helena Nascimento, Majori Silva, Giovani Sobrevivente, Italva Cruz e Cláudio de Aguiar. A programação musical e poética também conta com nomes em evidência na cena contemporânea, como Duda Santhana, Mil Vinis, Felipe Uxê, Eddy Veríssimo, Oxóssi de La Rua, Shaft, Eduhraaper, Urubu X, Grupo Mariar, Dandara Rohrs, Raíssa Araújo, Carol e Coxa e MC Mogli, reforçando a pluralidade estética que compõe o Subúrbio.
As ações da FLESF se espalham por diversas unidades escolares do Subúrbio Ferroviário, incluindo a Escolab Coutos, a Escola Municipal Fernando Presídio, a Escola Municipal Alto de Coutos, a Associação Cultural e Educacional Bordadeiras Quilombolas da Ilha de Maré (ABECQIM), a Escola Municipal Padre Norberto, a Escola Municipal Francisca de Sande e a própria Biblioteca Social Afro-Indígena Meninas do Subúrbio.
Em cada escola, mesas temáticas, oficinas, batalhas de rimas, contações de histórias, saraus e pocket shows aproximam estudantes de autores, artesãos e artistas que compartilham metodologias, vivências e referências estéticas enraizadas na cultura popular.
As Mesas Temáticas funcionam como eixos de reflexão sobre a diversidade de produções periféricas. Temas como “A arte e o artesanato para o cuidado da mente e como meio de vida”, “As linguagens do Hip Hop”, “A importância das ilustrações para os livros infantis”, “A poesia das mulheres negras”, “Os saraus poéticos como possibilidade para artistas negros”, “A infância negra na literatura” e “O valor da obra de arte do artista e do artesão não se discute” articulam debates entre professores, escritores, artesãos, mestres da cultura e pesquisadores.
As sessões de contação de histórias, conduzidas por nomes como Dejanira Rainha, Larissa Reis, Rita Pinheiro, Niní Kemba Náyò e Sílvia Roberta, reforçam a dimensão da oralidade e sua centralidade na educação antirracista.
A programação inclui ainda oficinas de plantio, teatro, grafite, rimas, vídeo e capoeira, fortalecendo o diálogo entre linguagens artísticas e práticas comunitárias. A presença do rap, do hip hop e da poesia cantada ressoa em atividades com artistas como Urubu X, Eduhraaper, Mil Vinis, Mogli MC, Carol Paranhos e Coxa de Galinha, ampliando o repertório cultural dos estudantes e valorizando expressões que emergem das ruas, vielas e becos do Subúrbio.
O encerramento acontece no dia 29 de novembro, na Biblioteca Social Afro-Indígena Meninas do Subúrbio, com uma celebração que reúne distribuição gratuita de livros, performances de rap, apresentações musicais, bazar, lançamento coletivo de obras literárias e o tradicional Sarau do Agdá. A cerimônia final também inclui uma homenagem póstuma ao artevista Ailton Kamuru, reconhecido pelo papel fundamental na cultura da região.
A FLESF 2025 conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, através da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), direcionada pelo Ministério da Cultura. Todas as atividades são gratuitas e abertas à comunidade.
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