Pesquisa revela resistência social ao enfrentamento da violência de gênero e mostra que maioria das mulheres procura ajuda, mas ainda dentro do círculo privado
Publicado em 20/11/2025 às 16:24

Foto: Freepik
Uma nova pesquisa realizada pelo Instituto Natura e Avon acendeu um alerta sobre a percepção da violência de gênero no Brasil. Segundo o Índice de Conscientização sobre Violência contra as Mulheres, 4 em cada 10 brasileiras não identificam agressões vividas como violência, especialmente quando não envolvem marcas físicas visíveis. O dado revela a permanência de uma compreensão limitada sobre o que constitui violência contra a mulher, ainda amplamente associada ao “olho roxo” ou à agressão física.
Para a antropóloga Beatriz Accioly, líder de Políticas Públicas pelo Fim da Violência Contra Meninas e Mulheres no Instituto Natura, esse é um dos indicadores mais preocupantes do estudo. “A gente ainda tem no Brasil uma compreensão de violência muito atrelada à física”, afirma.
O desconhecimento sobre a amplitude da violência de gênero, que inclui agressões psicológicas, patrimoniais, sexuais e morais, contribui para que muitas mulheres não se percebam como vítimas e, consequentemente, não acessem redes de apoio formais.
Apesar disso, a pesquisa registra um dado significativo: 73% das entrevistadas que já sofreram algum tipo de agressão buscaram ajuda. No entanto, a maioria recorreu a pessoas próximas, evitando acionar a polícia ou formalizar uma denúncia.
A contradição também aparece nas percepções sobre responsabilidade: 98% das brasileiras dizem que tomariam alguma atitude se estivessem em situação de violência, mas grande parte hesita ao admitir que faria o mesmo por outra mulher.
A persistência do ditado popular “em briga de marido e mulher não se mete a colher” também aparece no levantamento como um obstáculo cultural. De acordo com os dados, 60% dos entrevistados (homens e mulheres) acreditam que conflitos do casal devem ser resolvidos exclusivamente pelo casal. Além disso, 15% afirmam que não ajudariam uma mulher em situação de violência por considerarem que “não é da sua conta”, mesmo quando 90% declaram que têm alguma responsabilidade em relação ao tema.
A pesquisa também mostra que, embora campanhas de conscientização cheguem a boa parte da população, elas ainda não conseguem transformar plenamente a percepção sobre os mecanismos de denúncia. 62% dos entrevistados dizem lembrar de campanhas recentes, e 42% acreditam que elas ajudam a compreender o tema, mas apenas 37% afirmam saber como e onde denunciar um caso de violência contra a mulher.
O levantamento entrevistou 4.224 pessoas, homens e mulheres acima de 18 anos, entre junho e agosto de 2025, em formato presencial. A metodologia considerou recortes de gênero, região, classe social, renda e escolaridade, seguindo parâmetros do IBGE.
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