Com mais de 300 participantes de três continentes, o evento celebra os 200 anos de relações diplomáticas Brasil–França e propõe reflexões sobre democracia, diversidade e sustentabilidade
Publicado em 06/11/2025 às 19:55

Foto: divulgação
Até próximo sábado, 8 de novembro, Salvador se transforma em um ponto de encontro entre Brasil, França e África durante o Festival Nosso Futuro Brasil–França: Diálogos com a África, que celebra os 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países. Com uma programação diversa que desde quarta-feira (5) une debates, música, gastronomia, cinema e artes visuais, o evento legitima o papel da capital baiana como território estratégico nas trocas culturais e intelectuais do Atlântico Negro.
Promovido no âmbito da Temporada Cruzada Brasil–França, iniciativa que envolve mais de 300 eventos em todo o país, o festival tem como eixos temáticos democracia e globalização justa e inclusiva, diversidade e diálogo com a África, e clima e transição ecológica. A proposta é promover um espaço de reflexão e cooperação entre os três continentes, com foco em novas formas de convivência e desenvolvimento sustentável.
Mais de 300 jovens, artistas, pensadores e gestores públicos do Brasil, da França e de países africanos participam das atividades, discutindo temas como justiça territorial, inclusão social, igualdade de gênero e sustentabilidade. A abertura oficial, realizada no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), contou com a presença do presidente francês Emmanuel Macron, da ministra da Cultura Margareth Menezes e do governador da Bahia Jerônimo Rodrigues.
A cerimônia também foi marcada por apresentações de Carlinhos Brown e da Orkestra Rumpilezz, com participações de Lazzo Matumbi, Larissa Luz e da senegalesa Senny Camara, que deram o tom musical à noite de celebração.
Cidades Inclusivas e cooperação trilateral
O Fórum Nosso Futuro Brasil-França – Diálogos com a África: Nossos Lugares em Partilha, um dos principais eixos do evento, começou nesta quinta-feira (6) e vai até 8 de novembro, na DOCA 1, com o tema “Cidades Inclusivas”. Entre os nomes confirmados estão o filósofo Achille Mbembe, a pesquisadora Denise Ferreira da Silva, a ex-ministra francesa Christiane Taubira, a deputada Erika Hilton e o pensador Malcom Ferdinand.
As discussões abordam os desafios de urbanização, mobilidade, justiça social e governança sob uma perspectiva afro-diaspórica, buscando traçar caminhos de cooperação trilateral entre os três continentes. O encerramento, no sábado (8), incluirá a apresentação dos eixos de cooperação e a assinatura de um documento oficial que será encaminhado à COP30.
Cultura, arte e gastronomia em diálogo
Além dos debates e fóruns, o festival espalha sua programação pela cidade com shows gratuitos, exposições simultâneas e experiências gastronômicas.
No Largo do Pelourinho, a Noite Música e Democracia – Diálogo Afro-Brasileiro celebra o papel da música na construção das democracias, com curadoria de Bruno Boulay e Flávio de Abreu. Já a Praça Maria Felipa recebe, na sexta (7), a Noite Trace, que traz ao público a artista franco-cabo-verdiana Ronisia, em uma noite dedicada à música afro-pop contemporânea.
A gastronomia ganha destaque com o encontro As Grandes Mesas – França-Brasil-África, que acontece até sábado (8) nos restaurantes Bóia, Zanzibar, Preta e Origem. As experiências reúnem chefs franceses e baianos em jantares colaborativos que exploram as heranças africanas na culinária e a potência criativa das cozinhas do Atlântico.
A cidade também terá nove exposições abertas simultaneamente em espaços como o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), o Museu de Arte da Bahia (MAB), o Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC), o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), o Museu Afro-Brasileiro (MAFRO) e a Aliança Francesa. As mostras exploram temas ligados à identidade afro-diaspórica, ancestralidade e arte contemporânea.
Cinema e juventude conectada
O Ciclo de Filmes da Cinemateca África – Mostra Cinemas do Futuro, com curadoria da professora Morgana Gama (UFBA), exibe 24 produções de países africanos, brasileiros e franceses na Sala Walter da Silveira e no Cinema da UFBA. A abertura apresenta o premiado longa “Njangan”, do diretor senegalês Maham Johnson Traoré, seguido de debates sobre o cinema como ferramenta de resistência e reconstrução de narrativas.
Integrando o evento, o projeto Mídia COP promove uma cobertura colaborativa com 20 jovens comunicadores do Brasil, França e África, incentivando a formação de novas vozes e perspectivas sobre sustentabilidade, cultura e inovação.
Organizado pelo Institut Français e pela Embaixada da França no Brasil, o Festival Nosso Futuro Brasil–França: Diálogos com a África tem apoio do Governo Federal, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), do Governo da Bahia e da Prefeitura de Salvador.
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