Produção baiana une dança, audiovisual e acessibilidade para repensar heroísmos e ampliar debates sobre corpo e criação.
Publicado em 18/11/2025 às 20:35

Foto: Divulgação
A partir de 20 de novembro, o universo dos super-heróis ganha novas corporeidades com a estreia de “Superdefheróz”, uma short novela em quatro episódios criada para o Instagram. A produção, idealizada pela artista e diretora Natalia Rocha, propõe uma abordagem inédita que combina videodança, performance e audiovisual para tensionar o capacitismo e afirmar a potência criativa de corpos com deficiência. Os episódios serão lançados no perfil @superdefheroz, sempre às quintas-feiras: 27 de novembro, 4 e 11 de dezembro.
Gravada em Salvador, a série nasce do processo vivido na residência artística “Superdefheróz: Desvendando Superpoderes Aleijados”, realizada na Escola de Dança da UFBA, e reúne os artistas Natalia Rocha, Elinilson Soares, Daisy Souza e Edu O. A narrativa parte da Cultura Def e de suas estéticas próprias, transformando singularidades corporais em motores de criação. A proposta é uma investigação sobre como cada corpo produz conhecimento, gesto e dramaturgia, deslocando o olhar tradicional que associa deficiência à falta.
Para Natalia Rocha, o projeto encontrou uma linguagem própria ao unir dança, audiovisual e ficção seriada. “Superdefheróz encontrou o rumo de uma dramaturgia em dança com o audiovisual, mesmo sendo uma novela para o Instagram. Conseguimos tocar em problemáticas sérias, em várias dimensões — às vezes de forma explícita, outras de modo sutil e onírico”, afirma.
Ela destaca que Superdefheróz questiona o capacitismo estrutural ao recusar narrativas de superação. Em vez disso, apresenta personagens que reconhecem em seus corpos potências inteiras, capazes de criar mundos, tensionar limites e reimaginar a ideia de heroísmo.
A acessibilidade também é parte central da obra. Todo o processo incorporou Libras e audiodescrição, não apenas como recurso funcional, mas como estética que cria novas camadas de leitura, amplia o sentido das cenas e opera como gesto político. O resultado é uma narrativa em que a acessibilidade atua como linguagem artística e não como adendo.
Os episódios transitam entre o cotidiano urbano de Salvador e espaços oníricos dos chamados superdefs, explorando humor, dureza e fantasia. No capítulo de estreia, “Os Desgraçados” (20 de novembro), o público encontra os personagens em deslocamentos atravessados por barreiras físicas e simbólicas impostas pelo capacitismo.
Em “Vadiagem” (27 de novembro), cada artista descobre seu “objeto de poder”, elemento simbólico que ativa suas capacidades singulares. O terceiro episódio, “Despertar Def” (4 de dezembro), reúne o grupo em um ambiente ritualístico e colaborativo, no qual forças coletivas emergem.
Já o último capítulo, “Bonde Def” (11 de dezembro), marca a afirmação dos superpoderes (brilho, tremor, visão caleidoscópica e supercabelo) como expressões de liberdade e imaginação.
O processo criativo foi profundamente colaborativo. Apesar de a dramaturgia ter sido organizada por Natalia Rocha após a residência, grande parte das cenas nasceu das improvisações e imagens criadas pelo elenco e pelo olhar da direção de fotografia de Aldren Lincoln. A trilha original é assinada por Lucas de Gal, e a produção integra ainda profissionais de figurino, maquiagem, acessibilidade e comunicação que compõem a ficha técnica completa.
Superdefheróz foi contemplado pelo edital Territórios Criativos – Ano II, com recursos da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Prefeitura de Salvador, e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Ministério da Cultura.
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