Autora de “Um Defeito de Cor”, romance já considerado clássico, conquista a Cadeira nº 33 e rompe 128 anos de exclusão racial e de gênero na Academia Brasileira de Letras
Publicado em 11/07/2025 às 12:34

Foto: Festival Latinidades
A escritora Ana Maria Gonçalves entrou para a história na tarde de quinta-feira (10), ao ser eleita para a Cadeira nº 33 da Academia Brasileira de Letras (ABL). Aos 55 anos, ela se torna a primeira mulher negra a ocupar uma das cadeiras da instituição em 128 anos de existência, além de ser a mais jovem integrante do atual quadro de imortais.
A eleição foi realizada com apoio de urnas eletrônicas cedidas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Ana Maria recebeu 30 dos 31 votos possíveis, enquanto o único voto restante foi dado à também escritora Eliane Potiguara, uma das candidatas inscritas na disputa.
Conhecida principalmente pelo aclamado romance “Um Defeito de Cor”, publicado em 2006, Ana Maria Gonçalves é também roteirista, dramaturga e professora. A obra que a consagrou narra a trajetória de Kehinde, uma mulher africana que atravessa o século XIX em busca de reencontrar o filho, em uma narrativa densa, sensível e marcada pelos temas da escravidão, ancestralidade e resistência. O livro foi vencedor do Prêmio Casa de las Américas, e em 2024 inspirou o samba-enredo da Portela no Carnaval do Rio, consolidando assim seu impacto na cultura brasileira.
Em nota divulgada nas redes sociais, a própria ABL descreveu a escritora como “autora do aclamado romance “Um defeito de cor”, vencedor do Prêmio Casa de las Américas (2007) e eleito como melhor livro de literatura brasileira do século XXI por júri da Folha de S.Paulo.”.
A carreira de Ana Maria se estende para além do Brasil. Ela foi escritora residente em universidades como Tulane, Stanford e Middlebury, nos Estados Unidos, e tem destaque em debates referentes à literatura, identidade e questões raciais. A autora atua também como professora de escrita criativa e curadora de projetos culturais.
A vaga na Cadeira 33 foi aberta com a morte do filólogo e professor Evanildo Bechara, em 22 de maio deste ano, aos 97 anos. Além de Ana Maria e Eliane Potiguara, outros 12 nomes concorriam à vaga, incluindo Ruy da Penha Lobo, Célia Prado e João Calazans Filho.
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